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04/12/2012 - 10h38m

Professor da Uneal vence Festival da Palavra pela segunda vez

Em entrevista, docente fala da rotina em sala de aula e escrita.

Professor da Uneal vence Festival da Palavra pela segunda vez

Em 2010, o professor Márcio Ferreira do curso de Letras do Campus IV da Universidade Estadual de Alagoas, em São Miguel dos Campos, foi o grande vencedor da primeira edição do Festival da Palavra, na categoria Palavra Escrita. Com o conto “Tatuamunha”, o servidor estadual emocionou o público e também os jurados. A escrita cuidadosa, os elementos culturais abordados, o estilo convenceram mais uma vez e, em 2012, Márcio Ferreira levou novamente o primeiro lugar na categoria conto do Festival da Palavra, com o trabalho “Felicidade?”.

Nesta entrevista, o escritor e professor da Uneal fala mais sobre a docência e o ato de escrever, bem como analisa sua carreira na literatura e os percalços enfrentados pelos escritores alagoanos.

Ascom: Esta é a segunda vez que o senhor ganha o prêmio da categoria conto do Festival da Palavra. Como o senhor se sente?
Márcio Ferreira: Bem, sinto-me extremamente satisfeito por ter conseguido, pela segunda vez, o primeiro lugar na categoria conto do Festival da Palavra, promovido pela Segesp. Gosto muito do estilo do Festival, há pessoas sérias trabalhando muito para o evento funcionar bem. Quem avalia a qualidade dos textos literários - conto e poesia - também são pessoas muito sérias, creio que por isso o evento tem dado certo em suas duas edições. Quando submeti o conto eu pensava unicamente na leitura que as pessoas fariam do meu conto. Um escritor não quer outra coisa: quer ser lido, discutido, debatido; creio que isso é fazer literatura.
 
Ascom:  De onde o senhor tira as suas histórias?
MF: As minhas histórias vêm do lugar onde vivo, das pessoas com as quais converso, do mundo ao meu redor; gosto imensamente do trânsito entre o local e a cultura, por isso meus espaços estão sempre fincados em locais conhecidos pelos alagoanos, como praças, ruas, bairros. Tudo isso faz parte de mim e de minha literatura. Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Lêdo Ivo e tantos outros somam esse olhar, aliás bebo diariamente o licor literário deles para aprender e apreender as coisas do mundo.

Ascom:  O primeiro conto “Tatuamunha” fala sobre amor. E “Felicidade?”?
MF:“Tatuamunha” é uma dor encardida na ternura, no amor que quer se permitir presente. Leio e releio esse conto e sempre me vem a ideia que ele é um presente para mim. O professor Otávio Cabral disse certa vez que meu conto "é de uma beleza inconfundível". Fico muito feliz por isso. Quanto ao conto “Felicidade?”, creio que passeio com uma personagem, que é professora e se movimenta entre Maceió-São Miguel dos Campos-Arapiraca, construída em um mundo deslocado, que procura uma estabilidade humana - o ser mulher -, embora esse mesmo mundo lhe dê o avesso: o desencontro, a solidão, a violência. Benedita, a personagem, que se manter na organização do mundo, mas isso é impossível. Daí entra um novo elemento que se manifesta nos estratos da loucura, espaço, acredito eu, possível de aceitação e reconhecimento.

Ascom: Como concilia a escrita com a sala de aula?
MF:Sim. Embora o processo de escrita seja um momento isolado, criativo e estético. Na sala de aula, como professor de literatura, tenho a preocupação de influenciar meu aluno para ter atenção ao texto literário. Um texto supostamente despretensioso pode carregar um valor estético maior do que se pressupunha. Portanto, a sala de aula é meu lugar de dialogar com os textos literários - inclui aí os meus também - com os escritores canônicos e não-canônicos da nossa literatura. É nesse espaço que trocamos sensibilidades poéticas, podendo nascer daí um aluno-escritor ou um bom pesquisador nos estudos literários.

Ascom: O seu trabalho na Uneal o inspira, auxilia de alguma forma na escrita dos seus textos?
MF:Sou professor de literatura há mais de 20 anos. Gosto muito do que faço. Só agora, depois de muitos desacertos de escrita, posso dizer, estou construindo uma escrita madura e segura. Agora também mantenho contato com outros escritores, participo de reuniões com escritores para discutir literatura e processo de escrita literária. Esse convívio tem me dado um certo reconhecimento, em relação a minha pobre escrita - como diria Manoel Bandeira -,e reforça a ideia de que ser escritor em Alagoas é trabalhar arduamente, pois muitos estão escrevendo coisas muito boas, mas não têm oportunidade de publicação. Isso é muito ruim para o escritor. Por outro lado, meu trabalho na Uneal, de certa forma, tem relação com a minha escrita, mas apenas quanto à captação dos estratos culturais que representam o lugar por onde passo, ou seja, a partir da minha observação posso captar uma determinada realidade e representá-la ficcionalmente; e, obviamente, parte do meu olhar se dilata para São Miguel dos Campos, lugar onde está o Campus IV, da Uneal.

Ascom: Já lançou algum livro? vai lançar?
MF:Em 2001, foi publicado A cidade desfigurada, que faz um estudo do romance “Ninho de Cobras”, de Lêdo Ivo. Publiquei vários artigos sobre literatura nas revistas Leitura-Ufal;Graciliano Ramos-Imprensa Oficial; Falares-Campus IV-Uneal entre outras.

Atualmente, a poeta Vera Romariz organizou oito contos de escritores contemporâneos alagoanos, dentre eles está o conto “Tatuamunha”. O livro se chama Oito e o lançamento deverá ser em novembro desde ano. Estou trabalhando também com um livro de contos reunidos meus que deverá sair em fevereiro do próximo ano e terá o apoio da Uneal.
 

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