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17/12/2021 - 11h00m

Pesquisa apoiada pelo Governo do Estado fornece uma imagem concreta da esquistossomose em Alagoas

O estudo desenvolvido em Lagoa da Canoa verificou índices para a esquistossomose, revelando os efeitos do subdiagnóstico e das condições de higiene

Pesquisa apoiada pelo Governo do Estado fornece uma imagem concreta da esquistossomose em Alagoas

Grupo de Pesquisa

Tarcila Cabral / Fapeal
Texto

“Desde então, Alagoas se apresenta como um dos estados historicamente endêmicos para a esquistossomose mansoni, mas também é uma das regiões com a maior cobertura de diagnóstico e um trabalho de vigilância eficaz. Isso foi e é muito bom do ponto de vista do combate à doença, mas o problema é que estão sendo utilizadas as mesmas armas e estratégias adotadas no início”, explicou o doutor em Biociências e Bioctecnologia em Saúde.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), operacionaliza em conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), um edital específico para investigar demandas básicas em saúde e implementar ações no Sistema Único de Saúde (SUS). No rol de pesquisas apoiadas no PPSUS, encontra-se o projeto epidemiológico da “Esquistossomose Mansoni.

Alagoas se apresenta, historicamente, como um dos maiores percentuais de esquistossomose no Brasil. Questões como subdiagnóstico e condições sociais são alguns dos principais fatores para os índices. Segundo o coordenador da pesquisa, professor Israel Santos, a doença chegou ao Brasil pelos portos do Nordeste, sendo os estados de Alagoas, Pernambuco e Sergipe o epicentro no país.

Outro ponto que merece destaque, na visão do estudioso, é que o subdiagnóstico onera a saúde pública do estado, uma vez que o tratamento dos casos mais graves da doença é mais caro do que o tratamento na fase inicial. Portanto, não diagnosticar todos os casos leva a um ciclo de pessoas adoecidas, que perdem parcial ou total a sua capacidade laboral, onera a saúde pública e mantém a doença no território, o que facilita e promove a infecção de novos indivíduos.

A investigação, que foi desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa em Parasitologia da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), tinha como objetivo conhecer a situação epidemiológica na percepção dos casos humanos e também dos hospedeiros intermediários do parasito (caramujos), na cidade de Lagoa da Canoa.

Os dados alcançados no estudo foram obtidos com a realização de um inquérito parasitológico com uma amostra representativa da população da cidade de Lagoa da Canoa. Neste inquérito foram coletadas três amostras de material fecal de diferentes dias de cada um dos 347 participantes do estudo.

Também foram analisadas informações sociais, econômicas, culturais e laborais, além das coordenadas geográficas de cada um dos participantes. A pesquisa executou ainda um inquérito malacológico, que compreende a coleta de caramujos, nas zonas urbana e rural, e posterior análise.

Um dos objetivos específicos do projeto era estimar a prevalência, positividade e intensidade da infecção dos casos humanos de esquistossomose. O que o estudo terminou encontrando foi uma prevalência de 30,5% (106/347) de positividade na amostra estudada, o que é considerado uma positividade muito elevada, especialmente quando se compara com os dados que são disponibilizados no Sistema de Informação do Programa de Controle da Esquistossomose (SISPCE), que é o sistema de informação do Ministério da Saúde (MS), para o registro dos dados da doença na área endêmica do Brasil.

O pesquisador explica que, para se ter uma ideia da dimensão dos dados verificados, para o município que foi estudado, nos últimos 10 anos a positividade mais alta já reportada foi de 10,58% em 2013 e a menor de 5,86 em 2016. Então, a pergunta feita pelos estudiosos foi: O que ocorreu para se apresentar uma positividade tão alta e diferente das reportadas pelo Programa de Controle da Esquistossomose (PCE) local? A resposta encontrada foi o diagnóstico.

O grupo de pesquisa, então, utilizou o mesmo método de diagnóstico que é utilizado na rotina do PCE, mas otimizando o inquérito e o próprio diagnóstico. Com isso, foi possível fazer uma avaliação mais real da situação epidemiológica da esquistossomose mansoni em Lagoa da Canoa.

A partir da condução da pesquisa e aplicação dos métodos, os dados indicaram primeiro, uma grande proporção de pessoas infectadas pelo S. mansoni, sendo a maioria delas da zona urbana e autodeclaradas agricultoras. Este cenário ocorre porque grande parte da população da cidade vive na zona urbana, mas trabalha na zona rural no cultivo da mandioca e do fumo. O panorama revela que a doença tem uma forte relação com o modo de vida das pessoas e que isso deve ser considerado na estruturação de políticas públicas de combate local à patologia. Um segundo dado é que na cidade há a ocorrência de duas das três espécies de caramujos hospedeiros.

“Esse é um dado muito relevante, pois nos permite mostrar que os métodos de diagnóstico recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo MS não mais estão respondendo satisfatoriamente ao esperado, com o agravante de que nas diretrizes de trabalho da vigilância, o encontro de hospedeiros intermediários e infectados são elementos-chave para o fechamento da definição de um caso de esquistossomose e para a caracterização de uma área como sendo de risco para a infecção”, frisou o coordenador do estudo.

As principais recomendações que podem ser aplicadas no SUS de Alagoas são: a reformulação das políticas de trabalho do PCE, para que cada município adeque as suas atividades à sua realidade socioeconômica; a otimização dos inquéritos parasitológicos, para que estes possam demonstrar a real situação epidemiológica, assim contribuindo para uma tomada de decisão eficaz; e a necessidade da preconização da malacologia na rotina do PCE.

Também se torna muito importante a educação continuada das equipes que trabalham com o PCE, pois foi visto pelo estudo que nos municípios a mesma equipe trabalha com várias endemias, o que acaba fragilizando uma ou mais dessas patologias, pois o grupo fica impossibilitado de pensar em novas estratégias de combate.

Outra medida a se ressaltar é aproveitar programas como o Programa Saúde na Escola (PSE) para a inserção da temática da esquistossomose na rotina dos estudantes, já que foi analisado indiretamente, que muitos cidadãos nas áreas endêmicas não conhecem ou tem informações truncadas sobre a doença.

 

Apoio Fapeal e Sesau

 

No entanto todos os dados e informações alcançadas não seriam possíveis sem o fomento da Fapeal, o que Israel Santos expõe ter sido relevante para toda a execução e implementação da proposta.

“Com o apoio da Fapeal pudemos adquirir equipamentos e todo o material de consumo utilizado no estudo, além da ida a campo, pois sabe, tudo isso envolve custos. Além do apoio financeiro, a parceria da Fapeal com a Sesau foi crucial para que fôssemos acolhidos pelo município e pudéssemos contar com suporte técnico na logística de coleta dos dados do estudo”, completou o pesquisador.

Ele ressaltou ainda que os investimentos do PPSUS continuam contribuindo para a formação de recursos humanos especializados em Parasitologia em Alagoas. Atualmente o grupo de pesquisa já formou mais de 10 alunos na área, sendo que destes, três estão em programas de doutorado e outros três em mestrado, e todos estão inseridos em instituições bem avaliadas nacionalmente.

*Vale ressaltar que além do amparo da Fapeal e do Ministério da Saúde, o Laboratório de Parasitologia Humana e Malacologia do Campus II da Uneal foi reestruturado com o apoio da Reitoria e, atualmente, conta com parcerias de pesquisadores da Ufal, Uncisal, Fiocruz/PE, Fiocruz/MG, UFS, UFMG e da Dokkyo Medical University, Japão.

 *Acrescentado pela Assessoria de Comunicação da Uneal.

 

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