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04/06/2021 - 16h40m

Cinema no Campus Uneal chega a 2.021 views, e neste sábado exibe o primeiro longa-metragem alagoano: “A volta pela Estrada da Violência”

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Cinema no Campus Uneal chega a 2.021 views, e neste sábado exibe o primeiro longa-metragem alagoano: “A volta pela Estrada da Violência”

Crítica: Prof. Edson Bezerra

 

Esta semana, em sua oitava edição, o projeto Cinema no Campos, exibira mais dois filmes, o primeiro, primeiro “Memórias de uma saga Caeté” (Direção de Pedro da Rocha) filmado em 2012, trata-se de um documentário, o qual, através da mediação da fala dos moradores de Santana do Ipanema, relata a história do segundo, “A volta pela estrada da violência”, sendo este segundo um filme que histórico, pois tratar-se-á do primeiro longa-metragem filmado em Alagoas. Filmado em 1971 durante os anos de recrudescimento da Ditadura Militar, e durante os anos de consolidação do Cinema Novo, o enredo da “A volta pela estrada da violência’” é simples e paradigmático:


A volta pela estrada da violência: uma narrativa (primitiva) do cangaço

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Após a morte do marido, Geracina e seus três filhos dependem apenas de um cavalo como fonte de sustento. Com a seca que assola a região, o fazendeiro manda fechar a única fonte de água das redondezas. Ao tentar violar a cacimba para dar água ao cavalo, o filho mais velho é assassinado. A viúva apela para a Justiça, mas o juiz, comprado pelo fazendeiro, absolve-o. Mãe e filho abandonam a região e quando o filho caçula, atinge a maioridade, a mãe incita-o contra o fazendeiro para vingar a morte do irmão.

De pronto, frente a este enredo, estamos diante de uma montagem paradigmática de um dos núcleos geradores da cultura da violência: a vingança dos crimes de morte. O filme, que se pretende enquanto um retrato realista da violência, destoa dos enredos de tantos outros filmes do Cinema Novo,  sendo neste sentido “Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), exemplar - quando neles, a violência se revelava revolucionária e precursora de uma nova ordem. Todavia, em “A Volta pela estrada da violência”, o final da revolta da violência, se revela em seu desfecho, enquanto uma revolta trágica em seu fechamento histórico diante da derrota dos cangaceiros revoltosos em seus embates diante das forças da ordem. Filmado em Santana do Ipanema, pode-se pensar não ter sido a escolha do lugar se dado ao acaso, quando verificamos ter sido Santana do Ipanema, o lugar do nascedouro de alguns dos mais famosos pistoleiros das Alagoas. 

Todavia, dentro de seus limites e particularidades, filmado em preto e branco,  “A Volta pela Estrada da Violência”, foi uma produção bastante ousada para a época, produção que somente se tornaria possível através do empenho do alagoano José Wanderley Lopes e do experiente Adnor Pitanga, respectivamente produtor executivo e assistente de direção. O filme – que em sua produção teria a participação de uma atriz veterana, Margarida Cardoso, também contaria com a participação de figurantes alagoanos, como foram as presenças de César Rodrígues, Sabino Romariz e José Mendes, e ainda, de dezenas de moradores de Santana do Ipanema. O filme que teria a direção de Aécio de Andrade, também ganharia o prêmio Coruja de Ouro (1971) oferecido pelo Instituto Nacional de Cinema (INC) de melhor fotografia em preto e branco.

 

Memória de uma Saga Caete

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Já Memória de uma Saga Caeté, curta-metragem com direção de Pedro da Rocha, é, na verdade um documentário-memória sobre A volta pela estrada da violência, quando nele, todo o roteiro é articulado a partir das alas e dos relatos dos figurantes ainda vivos, e também, um passeio sobre os cenários daquele roteiro.

Pedro da Rocha, para quem o conhece, sabe que ele é uma apaixonado pelas entranhas das Alagoas, e deverá ser a partir deste ângulo e para além de uma escrita cinematográfica, o filme deverá ser visto enquanto produção e um registro de quem percebe os riscos e os limiares da perda da memória, e então ele, que já nos brindou na presente amostra com curtas-metragens como Corisco e Reminiscências (Direção) e Relicário de Zumba (enquanto produção), agora nos brinda com Memórias de uma Saga Caeté, uma visita e uma viagem no tempo nas cidades sertanejas de Santana do Ipanema e Maravilha, enquanto uma mergulho nos registros das memórias de seus habitantes e de suas impressões sobre as filmagens, de uma produção já ali, se revelava profética e construída diante da hiância de se fazer cinema em Alagoas.

Vale informar que, com os filmes acima, estamos na liminaridade do encerramento da primeira etapa do projeto, quando, nas duas próximas semanas, dia 12 e 19 de junho, no Cinema no Campus, serão exibidos on-line, dois filmes: o curta-metragem “A barca” (Direção: Nilton Rezende) e “Cavalo” (Direção de Werner Salles e Rafhael Barbosa), e, ambas as exibições, tanto as de “A barca”, bem como a de “Cavalo”, contarão com as presenças de seus diretores, os quais, após a exibição, ambos estão abertos para um debate sobre os seus filmes e sobre os impasses de se fazer cinema em Alagoas.

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