Sucata vira obra de arte nas mãos de escultor
Roberto Neves deixou a vida de empresário para se tornar artista. Suas obras são feitas a partir de sucata.
Clau Soares
Aos 32 anos de idade, o então empresário Roberto Neves descobriu que possuía um talento muito cobiçado: o de criar peças de artes. Na época, ele possuía uma fábrica de móveis em metal da qual eram desperdiçadas toneladas de sobras. Para aproveitar todo aquele “lixo”, o empresário percebeu que o resto dos metais poderiam ser transformadas em esculturas, ou seja, obras de arte.
Pouco depois, o empresário virou artista. Hoje, dez anos após descobrir a aptidão, o alagoano da cidade de Palmeira dos Índios, está com a exposição de peças no Hall da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Alagoas, em Arapiraca, até o dia 17 de junho. Suas obras já estiveram em exposição em Pernambuco, Distrito Federal e outros estados da federação.
As peças são itens de colecionador. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui duas esculturas de Roberto Neves. O governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho, e o reitor da Uneal também têm peças de Roberto Neves. Mas qualquer pessoa pode adquirir uma.
Cada escultura possui uma história própria, afinal cada pedaço de material utilizado tem uma origem diferente. Na exposição, os visitantes poderão encontrar peças à venda com diversas inspirações: o guerreiro, o indígena, animais. Tudo feito sob a ótica do aproveitamento de sucata. É o lixo transformado em luxo.
O reitor da Uneal Jairo José Campos da Costa havia conhecido Roberto Neves em Palmeira dos Índios. Na ocasião, ele adquiriu uma escultura e também sugeriu ao pró-reitor de Extensão da Uneal a realização de uma exposição na universidade. “Esse é um dos papéis da extensão: trazer a cultura para perto das pessoas”, destacou o pró-reitor de Extensão, Marcos Pontes.
O estudante de História da Uneal, Jerlann Cleyton Simões, avaliou como interessante a iniciativa e inscreveu-se para ser monitor durante o período da exposição. “Geralmente, a cultura de fora chega para nós. Aqui, é a cultura de Alagoas que está sendo valorizada”, afirmou.
Já a graduanda do curso de Pedagogia, Nayara Costa, ficou impressionada com a construção e os detalhes de cada peça. “O Cavalo chamou minha atenção. É muito interessante a forma como o ferro foi retorcido, construindo os detalhes até formar a figura do animal”, disse.
O espaço para a exposição foi cedido pela diretora do Campus I, Maria Helena Aragão. “É muita criatividade”, avaliou.
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