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08/07/2011 - 09h00m

Pesquisa visa alimentar animais com diferentes partes da mandioca durante de estiagem

Pesquisa é orientada pelo professor-doutor Dácio Brito.

Pesquisa visa alimentar animais com diferentes partes da mandioca durante de estiagem

Clau Soares

A mandioca é um alimento popular no Nordeste do Brasil. Da raiz da planta é produzida uma farinha utilizada em deliciosas receitas de farofas, bolos, entre outras iguarias muito apreciadas pelo povo nordestino. Na Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), uma pesquisa, conduzida pelo professor Dácio Brito, sobre a planta busca resultados para a alimentação de animais em época de estiagem.

Comum no sertão e agreste alagoano, a mandioca (Manihot Esculenta Crantz) é uma espécie cultivada também em diversas regiões do mundo. As raízes são famosas por compor a dieta humana. Já caules e folhas são utilizados, em geral, como adubo no solo. Para os animais, todas as partes do vegetal podem ser transformadas em alimento de qualidade, contribuindo com a produção de carne e leite.

O professor Dácio Brito, que atua nos cursos de Zootecnia e Biologia da Uneal, acredita que a mandioca pode ser uma alternativa para a alimentação dos animais da bacia leiteira do Estado, durante o período de estiagem quando a oferta de alimento para bovinos, caprinos e ovinos é escassa. “Temos dois experimentos que visa conservar partes da mandioca em silos: um com a raiz de mandioca triturada e misturada com casca de feijão e o outro com a parte aérea (folha e caule) triturada e misturada à casca de raiz de mandioca que são resíduos provenientes do cereal e da mandioca respectivamente”, explica.

Estamos abrindo os silos e a qualidade da silagem será analisada. Este mês, as estudantes-bolsistas do projeto, acompanhadas pelo professor, colheram amostras de silagens feitas em abril. “Nesse processo, verificamos, entre outras questões, a retenção da manipueira, um líquido da mandioca muito nutritivo e,através das análises, vamos identificar a qualidade da silagem. Vamos ainda identificar quais bactérias estão atuando na fermentação do material”, explicou a estudante-pesquisadora Aline Camila Silva de Oliveira.



A ideia de conservar alimentos para alimentação é baseada no enchimento dos silos no período das chuvas, quando existe muito alimento disponível, para serem abertos no período de estiagem e assim atender às necessidades alimentares dos animais. “Os resultados dessa pesquisa serão disponibilizados para produtores de mandioca que poderão ter mais uma opção de uso quando houver excedente de raiz, além de aproveitar a casca de feijão, e para os pecuaristas que poderão oferta de alimentos para os animais durante o verão”, explicou o professor Dácio Brito.

A pesquisa está sendo desenvolvida desde 2009 e os pesquisadores vislumbram os resultados positivos para a agricultura local. “Combinar as partes aéreas e as raízes com casca de feijão na alimentação animal pode trazer grandes benefícios à agropecuária local, aumentando as possibilidades de oferta de alimento de melhor qualidade e uma consequente melhoria na produção e produtividade de carne e leite na região”, afirma Dácio Brito.

A mandioca e a casca de feijão foram coletadas no sítio Lagoa de Dentro, zona rural de Arapiraca.


 

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